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Bronzeamento artificial: o atalho perigoso para a marquinha de biquíni no verão

SES-RJ alerta que prática proibida no Brasil desde 2009 expõe a população a riscos como câncer de pele e envelhecimento precoce

Atualizado em 08/02/2026 às 12:02, por Ricardo Marcogé.

Riscos do bronzeamento artificial estético. Foto: Divulgação / SES - RJ

A busca pela marquinha perfeita para o verão ainda leva muitas mulheres a recorrerem ao bronzeamento artificial, uma prática proibida no Brasil desde 2009 por oferecer riscos graves à saúde. O que muita gente não sabe é que o bronzeado obtido em câmaras artificiais não é sinal de beleza nem de saúde, mas uma reação da pele a um dano causado pela radiação ultravioleta, a mesma associada ao câncer de pele.

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A radiação emitida por esses equipamentos tem efeito carcinogênico comprovado, sem qualquer benefício terapêutico que justifique a exposição. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) alerta a população fluminense: “Não existe bronzeamento artificial seguro. O bronzeado é uma resposta do organismo a uma agressão. A pessoa pode até não perceber os efeitos agora, mas o dano ao DNA da pele acontece e pode se manifestar anos depois, na forma de câncer”, alerta a superintendente estadual de Vigilância Sanitária, Helen Keller.

A proibição é nacional e está em vigor desde 9 de novembro de 2009, por meio de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ainda assim, a prática persiste de forma irregular, especialmente em períodos de maior apelo estético, como o verão e o pré-Carnaval.

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Risco que não aparece no espelho

Além do câncer de pele, incluindo o melanoma (tipo mais agressivo da doença), o bronzeamento artificial está associado ao envelhecimento precoce da pele, manchas, rugas profundas, queimaduras, lesões oculares e até à redução da imunidade cutânea. No estado do Rio de Janeiro, entre 2019 e 2025, já foram registrados mais de 15 mil novos casos de câncer de pele, segundo dados do INCA/DataSUS. Parte desses casos está relacionada à exposição intensa e repetida à radiação ultravioleta ao longo da vida.

“O problema é que muita gente encara essas câmaras como um atalho estético, sem entender que está assumindo um risco real e acumulativo. Dez minutos de exposição não são inofensivos”, reforça a coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo.

Oferta clandestina cresce antes do Carnaval

A Vigilância Sanitária observa que, durante o verão, principalmente às vésperas do Carnaval, cresce a oferta clandestina do serviço, muitas vezes disfarçada com nomes como “bronzeamento seguro”, “terapia de luz” ou “câmara premium”, divulgada apenas por redes sociais ou mensagens privadas.

“Quando o serviço promete ‘bronzeamento sem risco’ ou só funciona por indicação e horário marcado, isso já é um sinal de alerta. É uma tentativa de mascarar uma prática proibida, que pode resultar em multas, interdição do estabelecimento e outras sanções”, explica Rosa Melo.

No estado do Rio de Janeiro, a fiscalização desses estabelecimentos é feita pelas vigilâncias sanitárias municipais. Já a Vigilância Sanitária estadual atua de forma complementar, oferecendo apoio técnico em operações integradas ou em ações de maior abrangência/risco, além de quando houver necessidade de atuação regional. A população pode colaborar denunciando ofertas irregulares por meio da Ouvidoria da SES-RJ (0800 025 5525 e https://www.saude.rj.gov.br/ouvidoria/participe), inclusive com prints de anúncios nas redes sociais.

Beleza sem colocar a saúde em risco

Para quem quer curtir o verão e o Carnaval com a autoestima em alta, a SES-RJ reforça que existem alternativas seguras, como autobronzeadores, bronzeamento a jato sem radiação ultravioleta, maquiagem corporal e, no caso da exposição ao sol, fotoproteção adequada e horários mais seguros.

“A marquinha que vale a pena é aquela que não cobra um preço alto no futuro. Cuidar da pele hoje é uma escolha que impacta a saúde para o resto da vida”, conclui a superintendente Helen Keller.